Há aqui retalhos de uma mulher selvagem, tecedeira de seu próprio manto sagrado! Eu mesma, e tantas de mim, tecendo vida em palavras, compartilho meus passos, meu encantamento com o mundo, minhas emoções, percepções, descobertas, indagações, sombras e luz...
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Das reflexões sobre a aceitação!
A aceitação é super importante! Mas não esse tipo de aceitação que falam tanto... aceitar NÃO É RESIGNAR-SE, abandonar o que incomoda, ou não saiu como planejado, não é ignorar. Aceitar é perceber a realidade do aqui e agora como está sendo manifestada... compreender, SEM REJEITAR, e a partir daí tomar as atitudes necessárias para que aquilo que se manifesta, daquela maneira, possa se transformar em instrumento de crescimento, expansão de consciência, oportunidade de praticar o perdão, a pazciência, a fé, e seguir firme no caminho do coração, oportunizar a manifestação do Ser, a transformAÇÃO. AHO!
Dos encontros e desencontros!
Amo os encontros das curvas da estrada! E estou aprendendo a amar também os desencontros! Observando, percebo que é importante ter serenidade para aceitá-los, pazciência para compreendê-los e profunda gratidão por cada descompasso da dança da vida! São passos perfeitos, que talvez nosso ego não queira aceitar facilmente porque não saiu como imaginávamos. Mas estou cada vez mais convencida de que os desencontros, assim como os encontros, fazem parte do Plano Divino para nos levar para realmente onde, quando e com quem temos que estar para estarmos plenos e servindo àquilo que viemos! No aqui, agora, brilhar pura luz!!!
Das influências lunares!
Das influências lunares: Nú! Que LUA CRESCENTE de sinceridade é essa Jah Jah???!!!!!! Tô transbordando transparência por todos os poros, deixando tudo claro por tudo quanto é canto, soltando entendimentos em verbo sem receios, colocando um monte de pingos nos Is, tendo firmeza na consciência que já adquiri, tirando os pontos e vírgulas do que precisa fluir, espantando os medos e deixando a liberdade escapulir, liberdade de exisitir do jeitinho que sou, Espelho Magnético Branco, refletindo a mim mesma e o outro para evoluir... na beleza da transparência, da clareza, da pureza do meu coração!!! Ser!!! Só Ser no meu viver! Graaaaaaaaaaaaças a Deus!!!!!
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Das reflexões de Ser andarilho!
Isso que dá ser andarilho e entregue aos encontros dos caminhos! A gente se dá e se deixa com tanta plenitude, a gente se reconhece em tantos seres e lugares, a gente recebe o outro com braços tão abertos, a gente ama e se deixa amar com tanta intensidade, a gente se alegre e celebra, a gente chora e sorri e aí... quando a gente volta a caminhar e pára um pouco para enraizar, às vezes na solitude, a gente nem percebe mais onde é que a gente está, se se espalhou por tanto compartilhar, a gente sente um tanto de tudo dentro da gente, e ao mesmo tempo fora... e aí sente saudades escorrer dos olhos, amor transbordando o peito e asas inquietas pra voar... ao mesmo tempo em que sente as raízes se nutrirem do mesmo solo que acolhe todos, onde quer que se esteja, aqui ou acolá... estamos todos em um mesmo lugar, no estado de amar!!!!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Jardineiros fiéis!
Tenho passeado por jardins de formosuras de muitas mulheres grávidas ou que acabaram de parir seus filhotes. Encontro tanta beleza, exuberância, amor, perfumes dos mais preciosos, flores com as mais belas cores, preciosidades que talvez só a maternidade faça desabrochar em um Ser. Paciência nunca manifestada antes, cabelos vicejantes, peles brilhante, corpos esguios, sorrisos radiantes, criatividade saltitante, doação e carinho transbordantes e amor incondicional totalmente espontâneo, isso mesmo passando por noites sem fim acordadas. Mas também encontro folhas secas de fragilidade, dor, insegurança, saudades de si mesma, vontade de liberdade, medos, até pontinhas espinhosas de desesperos. E penso ... quanta dualidade!
O parto de um filho pode ser demorado. Para mim iniciou-se quando descobri que estava grávida, até o ritual das treze horas dando a luz a Rayom. Mas parir uma mãe tem sido, para mim, e para muitas destas mulheres que encontro, muito mais longo, mais doloroso, prazeroso também, sim, mas um processo muito mais frágil do que o selvagem momento do parto de um filho. Como pode o jardim de uma mulher loba, selvagem, forte e sensível ter tanta beleza e ao mesmo tempo ficar tão carente assim?
Observo que a força que aduba as terras destes jardins vêm do ventre, da alma, do coração e da mente, vem de um Ser Inteiro que está com todo o seu potencial direcionado para dar conta do seu mais belo e precioso fruto, o filhote! Toda energia física, mental e espiritual é dedicada à cria. Noites sem dormir, dias inteiros dedicando-se a cuidar, acolher, nutrir, carinhar, proteger, perceber, compreender e receber este novo ser da melhor maneira possível para que ele possa desabrochar-se em seu melhor néctar. E ainda pensar, estudar e sentir quais são as melhores possibilidades para facilitar a educação de um filho indo na contra-mão de grande parte da sociedade, além de muitas vezes ter que lutar pelo direito de seguir a voz do coração e não as convenções sociais. Nada ser além de servir, servir e servir. E sinto que é por esta tão honrosa missão ser tão intensa que em meio a tanta beleza encontra-se tanta fragilidade. Como uma rosa ao desabrochar.
Uma mulher-mãe, principalmente com um bebê recém nascido, em fase ativa de trabalho de parto de uma nova face de si mesma, merece os jardineiros mais fiéis em seu jardim! Fiéis às suas mais profundas necessidades, que neste momento estão à flor da pele, brotam lá de dentro, de lugares difíceis de serem alcançados, tornando-se viscerais, como um vulcão de luzes, hormônios e sombras. Quanta sensibilidade em uma mulher que está se parindo como mãe. E quanta beleza também! Uma mãe, que acaba de dar a luz ao seu filhote e está descobrindo este novo universo que tem como sua inteira responsabilidade, seu maior desafio, merece (principalmente porque carece) de cuidados de todos ao seu redor. Para que possa seguir nutrindo intensamente seu mais belo fruto, o jardim de uma recém-mãe precisa receber amor, carinho, banhos de flores e folhas, compreensão, acolhimento, canções, alimentos saudáveis, apoio, atenção, equilíbrio, segurança, alegria, silêncio, amor, massagem com essências, fé, prazer, mimos e afagos. Um jardineiro fiel às necessidades de uma nova mãe deve ser como uma doula, estar ali para apoiar fisicamente e emocionalmente a mulher durante o seu trabalho de parto, que neste caso pode durar meses, até alguns anos. Apoiar sem questionar muito, porque não só corpo e alma, mas também a mente de uma nova mãe encontra-se focada na produção e manutenção do melhor ninho para sua cria. Apoiar respeitando, porque muitas vezes nem ela mesma compreende certas atitudes e emoções que tem nesta fase da vida.
E não são somente as mães solteiras que sentem esta carência de serem cuidadas. Muitas mulheres que têm companheiros dormindo e acordando ao seu lado confessam não serem nutridas neste momento. Sinto que perdemos muito ao nos distanciarmos do modelo de viver em comunidades. Acredito que as mulheres se apóiam profundamente em muitos momentos da vida, e que neste, em especial, devem estar muito próximas da cria e da mãe para que tudo seja leve, tranqüilo, suave, apesar de árduo e forte. Mas, como a realidade é outra, vivemos entre quatro paredes longe dos contínuos círculos das Deusas e seus cuidados, é importante que o Ser sensível dos homens seja despertado neste momento. Porque acredito que todos os seres humanos têm dentro de si o sagrado feminino e o sagrado masculino, como a dualidade dos jardins. E um homem também pode, além de proteger e prover, ter mãos leves que afagam, braços firmes que acolhem, palavras que sustentam, olhares que aprovam, e um coração que seja um rio de carinho e afeto que possa alcançar, afetar e acalmar as profundezas desse vulcão em ebulição. Que linda oportunidade de crescimento tem um jardineiro ao acompanhar tão de pertinho um dos maiores mistérios da Mãe Natureza, o despertar da vida de um ser humano. Ser jardineiro de um jardim que acolhe um ninho é viver a compaixão em plenitude, compaixão por um ser que está dançando intensamente com a solidão, a solidão de ser mãe. E viver esta compaixão, doando-se aos cuidados com esta mulher, infinito mistério da fonte da vida, é também beber da maior fonte de pureza e amor que já conheci, a gratidão de alguém que é acolhido e o sorriso de um bebê recém nascido que sente que seu ninho está recebendo carinho!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Lições de uma lua minguante
Estava amamentando Rayom esta madrugada e por um momento fui olhar o céu pelo vidro da janela. Neste instante uma estrela cadente cortou o véu negro salpicado de pequeninas estrelas! Que surpresa boa! Fiz meu desejo, o mais intenso em meu coração, agradeci e aceitei o convite para ficar mais tempo por ali, observando a imensidão do infinito... foi quando percebi, do outro lado, a bela lua, brilhando um amarelo forte e estampando um sorriso parecido com o do gato da Alice (no País das Maravilhas). Parecia uma festa no céu! Estrelas brilhando por todos os cantos, estrela cadente caindo, e nossa avó lua minguando com uma cor maravilhosa, brilhando como ouro. Fiquei ali, deixando o céu se refletir em mim e devaneando em meus pensamentos, enquanto Rayom se nutria em meu peito. E a avó lua falou comigo! Contou histórias de avó, dessas que a gente se perde de tudo ao redor e fica com os olhos abertos, atentos, e pernas balançando no ar, como se estivéssemos mesmo caminhando por outras estradas, fora de onde a gente realmente está. E histórias de avó sempre trazem uma lição pra gente guardar no coração! Esta noite a avó lua falou dela mesma, e nos contou que, em seu constante ciclo, agora estava minguando. Eu acho esta palavra engraçada e pedi a avó para explicar melhor ao Rayom, que acaba de chegar, o que significa minguar, porque para mim minguar é diminuir, caminhar para o acabar, ir de encontro à escassez.
A avó contou que este seu período, de ser minguante, representa o período de envelhecimento e morte de todos os seres e coisas, que nesse momento a Deusa percorre os portais até o submundo, ela é a Senhora, a Anciã que em breve será Rainha das transformações. Contou que pode ser um período de grande transição, nervosismo, conflitos, dúvidas e que assim como a Deusa percorre os portais entre os mundos, nós estamos no fim de um ciclo, tendo a necessidade de começar a buscar por novos caminhos. Pode ser também um período de descanso, já que na Lua Cheia muito da energia foi desprendida. Isso me intrigou. E perguntei a ela como pode ser, que caminhando para sua pequenez, indo de encontro à morte, ela escancara seu maior e mais belo sorriso no céu! E foi aí que chegou o momento da grande lição.
Na doçura da sua sabedoria ancestral, nossa abuelita expandiu ainda mais seu sorriso, e nos acolheu com seu calor. “Minha querida filha, temos muitos motivos para sorrir na vida. O sorriso cura, fortalece, encoraja, transforma. E minguar é caminhar e entregar-se a um lindo momento de transformação. Nos momentos dolorosos de nossas vidas, em que “aparentemente” não há mais saídas, que nossa energia está quase no fim e que “aparentemente” não temos mais forças, quando precisamos acolher as sombras que chegam, quando há dor, medo, solidão, quando vivenciamos nossas mortes dentro do contínuo ciclo de vida-morte-vida, também temos muitos motivos para sorrir! É só prestarmos atenção no que está além das aparências óbvias dos fatos, nos perguntarmos o que aquela situação, emoção ou sentimento está nos trazendo para ser curado e transformado, lembrando que todo final significa um início, vida nova, novas portas, novas energias, limpeza, purificação. Minguar é uma oportunidade de entrar em nós mesmos, nos encontrarmos com as profundezas de nosso ser, ir lá no fundo, onde há pouca luz, mas muito para se ver, e encontrar com a verdade, que não é feia e nem bela, simplesmente é. E Ser merece muitos sorrisos! Nestes momentos, é importante sermos capazes de nos perguntarmos, na primeira pessoa do singular: “o que eu quero?”, “o que está acontecendo comigo?”, “o que me atemoriza?”, “o que eu ofereço?”, “o que não quero mais?”, “o que me falta e porque ainda não encontrei?”, buscando a verdade do coração. E sorrimos tanto para tudo ao nosso redor, não é mesmo? E quando é para olharmos fundo em nossos próprios olhos, não merecemos um grande sorriso? É claro que sim! Sorrir também nestes momentos é reconhecer a grande oportunidade de crescimento. É uma dádiva poder minguar, e crescer novamente depois de todos os desafios... iluminar e irradiar plenamente quando reconhecemos nossa grandeza em nossa pequenez, quando aceitamos o que nos pede atenção e nos proporcionamos momentos de cura. É uma celebração! É preciso sorrir minha filha, porque minguar é uma bênção! Veja bem, estou minguando, e somente porque estou minguando dou oportunidade às estrelas em mim de se mostrarem mais fortes e belas em meu céu, somente porque olho para minha sombra e a reconheço é que você pôde ver uma linda estrela cadente e a sua luz pôde também resplandecer e lhe trazer a realização dos seus desejos. Quanta beleza! Isso merece um enorme sorriso!!!”
E com estas sábias palavras, a avó lua, que percebeu Rayom completamente adormecido em meus braços, me convidou a retornar ao sono, descansar em paz e seguir minha caminhada, que segundo ela, “tem sido muito bem trilhada”, porque está me levando ao despertar da consciência. É... agradeci à querida e sorridente avó lua minguante, dizendo, com um grande sorriso no rosto, que sim!, para mim, quando a consciência está desperta, a alma está sempre sorrindo, serenamente sorrindo, e é lá mesmo que quero chegar, onde minha alma está sempre sorrindo. Estou caminhando... ao acordar, quando me sentei para contar a vocês este belo encontro, me lembrei que na noite anterior a vida já estava me mostrando que é preciso sorrir ao minguar. Depois de uma noite sem dormir, o corpo todo doendo, a sensação de uma febre interna me dando pontadas da cabeça aos pés, e Rayom, que é uma extensão de meu ser, irritadíssimo chorando até quase meia noite, eu estava um bagaço. Sentei na cama dos meus pais com uma cara de “não agüento mais”. Meu pai sentou nos pés da cama e com olhar amoroso me disse: “é minha filha... ser mãe é isso aí. E vocês estão ótimos, não tem nada sério acontecendo, muitas situações, muito mais fortes e difíceis, vão te afrontar. E você precisa ser forte, guerreira, precisa mostrar sua força ao teu filho. Nestes momentos você precisa sorrir!”. Em outras palavras, é preciso sorrir ao minguar!!! ; )
Agradeço à sabedoria dos meus ancestrais, meu pai, minha avó lua, gratidão em meu coração.
Namastê!
sábado, 23 de abril de 2011
Estradas de uma guerreira caminhante...
Sou uma guerreira caminhante! Caminho por muitas estradas, aquelas que me são chamadas a desvendar, a rastrear. E a mais desafiadora de todas passa por dentro de mim mesma. Venho morrendo e renascendo desde que minha mãe me trouxe a este mundo. Não posso dizer que minha mãe me pariu, já que cheguei através de uma cesárea, mas venho sendo parida pela vida. E assim tem sido conscientemente nos últimos anos. Viver em vida-morte-vida com consciência é um presente. Processos constantes de despertar daquela que Eu Sou, da força ancestral que habita em mim, das Deusas que dançam através dos meus movimentos, da cura que sopra os ventos de minhas mãos, da criatividade que é gerada em meu ventre, da luz que revela minhas próprias sombras me proporcionando crescer, iluminando meus sorrisos e meu olhar. E a cada dia é uma nova descoberta! Sou castelo de portas e janelas abertas! Tenho dentro de mim muitos quartos disponíveis, alguns ocupados, estantes com livros em branco, outros tantos plenos de histórias já vividas esperando para servirem de inspiração ao serem lidas. Tenho redes confortáveis balançando em meus cabelos, dançando a leveza de ir e vir, e esteiras de palha estendidas sob meus ossos, para deitar-me na solidez de certas experiências. Locais onde posso aquietar-me, descansar e refletir, sentir, incorporar e aprender. Também sou labirinto, e muitas vezes me pego tendo que re-viver para reconhecer que “ainda não...” e humildemente ter que re-começar para alcançar o verdadeiro despertar. Sou fogo estalando na lareira de um coração inquieto, sala principal do meu Ser; fogo que acalenta quando bem acolhido, e queima muito bem quando convém. Pelas estradas de mim correm rios transparentes e outros turvos, águas que se movimentam hora calmas, hora turbulentas. E me atrevo a mergulhar por todas elas, já que nada tenho a perder nestas estradas, aprendo a nada possuir. Ventos entram e saem pelas janelas e portas em mim, arejando, refrescando, levantando poeira, balançando meus galhos, levando folhagens que não me servem mais. Ventos que levantam tapetes onde escondo emoções e hábitos desconfortáveis, e que precisam ser reconhecidos para serem libertados, dissolvidos e curados. Tenho jardins em meus caminhos, floridos de almas coloridas e iluminadas que brotam de encontros inusitados, surpresas agradáveis das curvas da estrada. Desabrocham, me enchem de perfumes e cores, algumas se enraízam, criando vínculos eternos, outras me fazem sorrir momentâneo, e seguem pra florir outros cantos. Há muitos sons dentro de mim, pouco silêncio, por enquanto... apesar de ser um tanto o que busco incorporar, uma hora ele há de se instalar, tenho quartos reservados a este nobre hospede, pra quando ele resolver ficar. E sons que me encantam, acolhem, acalmam, outros irritam, agitam, espantam.
São tantas curvas nas estradas dentro de mim que vivo um sem fim de inusitados, de surpresas, voltas e reviravoltas, recomeços e fins. E sou alma vicejante a céu aberto, a quem quiser viajar por mim. Caminhe por estas estradas, diante de mim, eu mesma e um pouco de tudo o que me mira, porque em minhas paredes tem trepadeiras selvagens e muitos espelhos também.




